Ao
abordarmos a questão sobre a possibilidade do professor intervir no ensino
aprendizagem do aluno, que se encontra no processo inicial da construção do
conceito de número, frequentemente surge a dúvida sobre “o que o aluno sabe ou
não sabe sobre a matemática” e se “o aluno errou ou acertou” determinada
atividade.
Através
da experiência, temos ciência de que o acerto do aluno em um exercício proposto
não é a garantia de seu conhecimento, tão pouco um erro quer dizer que o aluno
não compreendeu. Sendo assim, acreditamos que é sempre necessária uma avaliação
individual, para o esclarecimento de quaisquer dúvidas.
Segundo Piaget, a Matemática é
resultado do processo mental da criança em relação ao seu cotidiano,
arquitetado mediante atividades de se pensar o mundo por meio da relação com os
objetos que a cercam. Dessa forma, não podemos pensar o ensino da Matemática de
acordo com o sistema tradicional de educação, caracterizado pela repetição e
verbalização de conteúdos. Piaget considerava o método tradicional fracassado,
pois o mesmo trata a criança como um ser apático e vago. Suas ideias refletem sobre
um ensino formador de um raciocínio lógico matemático, que conduz à
interpretação e à compreensão, em detrimento da memorização, portanto,
acreditamos que no
processo da aprendizagem inicial, o aluno desenvolverá seu conhecimento através
das interações sociais e de situações concretas vividas, uma vez que seu
processo de aprendizagem, desde a mais tenra idade, se dá pela observação do
meio em que vive e da necessidade do momento.
De
acordo com Constance Kamii, aluna
e colaboradora de Jean Piaget, o conceito de número não é transmitido pelo
professor e memorizado pela criança através da repetição de exercícios. Esse
conceito é construído pelo próprio aluno em um processo que envolve o seu
amadurecimento biológico, as experiências vividas e as informações que recebe
do seu meio. Trata-se de uma relação criada mentalmente, fazendo parte do
conhecimento lógico-matemático.
A
fonte do conhecimento sobre o conceito de número se encontra no pensamento do
indivíduo e não nos objetos a serem contados. Para construir esse conceito, é
necessário que o indivíduo estabeleça alguns tipos de relações entre os
objetos.
Na
educação infantil, quando a criança tem de 2 a 5 anos, introduzimos os números
e ela, que se encontra no processo pré-operacional, gravará a imagem e o nome
do objeto (simbolismo/linguagem), pois nesta fase as interações sociais fazem a
maior diferença no processo, assim, ao mostrarmos o número à
criança, ela o interiorizará, uma vez que ainda não consegue definir
quantidade. Para desenvolvimento de tal processo, faz-se necessária a
utilização de materiais de apoio, como o dourado e o ábaco, para que o conhecimento matemático torne-se
palpável para o aluno, facilitando assim a compreensão de seus processos e a
aplicação dos conceitos construídos.
No ensino fundamental, quando a
criança tem de 6 a 12 anos e se encontra no processo conhecido como operacional
concreto, as chamadas “situações concretas” entram em ação e permitem o aprendizado
através da experiência, uma vez que o aluno está presente e compreende através
da visão, do toque e da percepção. Situações imaginárias raramente levarão o
aluno ao resultado pretendido, pois ele precisa relacionar o aprendizado com a sua
realidade.
Para que a matemática se torne
clara e objetiva, precisa ser ensinada em etapas, assim o aluno compreenderá o
processo, pois precisa de uma base bem fundamentada para o entendimento dos
demais aspectos da matemática.
O
professor precisa mapear a interação do aluno, observando e identificando quais
os conhecimentos prévios, os interesses e as expectativas da criança durante o
processo de ensino-aprendizagem. Cada etapa possui a sua
importância e nenhuma deve ser desprezada, portanto, o professor deve certificar-se
sempre se o conteúdo ensinado foi apropriado pelo aluno individualmente. Sob
esta ótica, acreditamos que sua intervenção é fundamental e deve ser constante.
Em todo processo de
ensino-aprendizagem, é necessário que o professor possua um olhar abrangente de
como aluno vem adquirindo seus fundamentos, estando sempre disponível para
esclarecer dúvidas, corrigir, analisar, usar ou mudar estratégias, observando,
avaliando e, sobretudo, ajudando a resolver “juntos” as questões propostas.
A comunicação é o caminho que nos leva
à compreensão.
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