21 novembro, 2013

AS POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÕES DO PROFESSOR JUNTO ÀS CRIANÇAS QUE SE ENCONTRAM NO PROCESSO INICIAL DA CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE NÚMERO



            Ao abordarmos a questão sobre a possibilidade do professor intervir no ensino aprendizagem do aluno, que se encontra no processo inicial da construção do conceito de número, frequentemente surge a dúvida sobre “o que o aluno sabe ou não sabe sobre a matemática” e se “o aluno errou ou acertou” determinada atividade.

            Através da experiência, temos ciência de que o acerto do aluno em um exercício proposto não é a garantia de seu conhecimento, tão pouco um erro quer dizer que o aluno não compreendeu. Sendo assim, acreditamos que é sempre necessária uma avaliação individual, para o esclarecimento de quaisquer dúvidas.

            Segundo Piaget, a Matemática é resultado do processo mental da criança em relação ao seu cotidiano, arquitetado mediante atividades de se pensar o mundo por meio da relação com os objetos que a cercam. Dessa forma, não podemos pensar o ensino da Matemática de acordo com o sistema tradicional de educação, caracterizado pela repetição e verbalização de conteúdos. Piaget considerava o método tradicional fracassado, pois o mesmo trata a criança como um ser apático e vago. Suas ideias refletem sobre um ensino formador de um raciocínio lógico matemático, que conduz à interpretação e à compreensão, em detrimento da memorização, portanto, acreditamos que no processo da aprendizagem inicial, o aluno desenvolverá seu conhecimento através das interações sociais e de situações concretas vividas, uma vez que seu processo de aprendizagem, desde a mais tenra idade, se dá pela observação do meio em que vive e da necessidade do momento.

            De acordo com Constance Kamii, aluna e colaboradora de Jean Piaget, o conceito de número não é transmitido pelo professor e memorizado pela criança através da repetição de exercícios. Esse conceito é construído pelo próprio aluno em um processo que envolve o seu amadurecimento biológico, as experiências vividas e as informações que recebe do seu meio. Trata-se de uma relação criada mentalmente, fazendo parte do conhecimento lógico-matemático.

            A fonte do conhecimento sobre o conceito de número se encontra no pensamento do indivíduo e não nos objetos a serem contados. Para construir esse conceito, é necessário que o indivíduo estabeleça alguns tipos de relações entre os objetos.

            Na educação infantil, quando a criança tem de 2 a 5 anos, introduzimos os números e ela, que se encontra no processo pré-operacional, gravará a imagem e o nome do objeto (simbolismo/linguagem), pois nesta fase as interações sociais fazem a maior diferença no processo, assim, ao mostrarmos o número à criança, ela o interiorizará, uma vez que ainda não consegue definir quantidade. Para desenvolvimento de tal processo, faz-se necessária a utilização de materiais de apoio, como o dourado e o ábaco, para que o conhecimento matemático torne-se palpável para o aluno, facilitando assim a compreensão de seus processos e a aplicação dos conceitos construídos.

            No ensino fundamental, quando a criança tem de 6 a 12 anos e se encontra no processo conhecido como operacional concreto, as chamadas “situações concretas” entram em ação e permitem o aprendizado através da experiência, uma vez que o aluno está presente e compreende através da visão, do toque e da percepção. Situações imaginárias raramente levarão o aluno ao resultado pretendido, pois ele precisa relacionar o aprendizado com a sua realidade.

            Para que a matemática se torne clara e objetiva, precisa ser ensinada em etapas, assim o aluno compreenderá o processo, pois precisa de uma base bem fundamentada para o entendimento dos demais aspectos da matemática.

            O professor precisa mapear a interação do aluno, observando e identificando quais os conhecimentos prévios, os interesses e as expectativas da criança durante o processo de ensino-aprendizagem. Cada etapa possui a sua importância e nenhuma deve ser desprezada, portanto, o professor deve certificar-se sempre se o conteúdo ensinado foi apropriado pelo aluno individualmente. Sob esta ótica, acreditamos que sua intervenção é fundamental e deve ser constante.

            Em todo processo de ensino-aprendizagem, é necessário que o professor possua um olhar abrangente de como aluno vem adquirindo seus fundamentos, estando sempre disponível para esclarecer dúvidas, corrigir, analisar, usar ou mudar estratégias, observando, avaliando e, sobretudo, ajudando a resolver “juntos” as questões propostas.

            A comunicação é o caminho que nos leva à compreensão.

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